quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Após 60 anos, RN inicia duplicação da BR-304 em obra histórica

Foto: Carlos Costa/Divulgação

 “A gente esperou a vida inteira por essa duplicação. Para o comércio e para a nossa segurança, será ótima.” A fala da comerciante Joelma Maria de Sousa, 53 anos, do Vale do Açu, que cruza a BR-304 diariamente, traduz o sentimento que marcou a solenidade realizada nesta quinta-feira (22), no entroncamento com a RN-233, em Assu. Após seis décadas de espera, o Rio Grande do Norte deu início à maior intervenção já realizada na principal rodovia federal do estado, com a assinatura da ordem de serviço para a duplicação do primeiro trecho, entre Mossoró e Assu, e o lançamento do edital do segundo lote, que ligará Macaíba a Riachuelo, no Agreste.

 

O Lote 1 compreende 57,6 quilômetros de extensão e receberá investimento de R$ 376 milhões. A obra será executada em pavimento rígido pela Construtora Luiz Costa (CLC), com sede em Mossoró. Já o Lote 2 terá 38,1 quilômetros e ampliará a integração da BR-304 a partir do final da Reta Tabajara, consolidando o eixo rodoviário que conecta o litoral, o Agreste, a região Central e o Oeste potiguar.

 

Ao anunciar o início das obras, a governadora Fátima Bezerra destacou que a duplicação da BR-304 é resultado de uma decisão política de priorização da infraestrutura no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Quando o presidente Lula pediu que cada governador indicasse três prioridades para o Novo PAC, eu não titubeei: a duplicação da BR-304 foi a primeira delas”, afirmou.

 

 

Segundo a governadora, a obra responde a uma demanda histórica da população e cumpre papel estratégico para o desenvolvimento e para a segurança viária.  “Esta é uma conquista esperada há 60 anos pelo povo do Rio Grande do Norte. A duplicação da BR-304 simboliza a presença do Estado brasileiro, o planejamento e o compromisso com a vida, com a segurança e com o desenvolvimento. Foi com o Novo PAC e com a decisão política de priorizar a infraestrutura que conseguimos tirar essa obra do papel e transformá-la em realidade”, declarou.

 

O ministro dos Transportes, Renan Filho, ressaltou o protagonismo do Governo do Estado na inclusão do empreendimento no PAC e na viabilização do projeto executivo. “A duplicação da BR-304 foi indicada pelo Governo do Rio Grande do Norte como prioridade no âmbito do Novo PAC, a partir de articulação da governadora Fátima Bezerra junto ao presidente Lula. A obra integra o conjunto de investimentos estratégicos definidos em diálogo federativo”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho”.

 

Anúncio de ações estruturantes

 

Além da ordem de serviço do primeiro lote e da publicação do edital do segundo, o evento também foi marcado pelo anúncio de um conjunto de ações estruturantes para a malha viária potiguar. “Estamos entregando ao ministro a licença do IDEMA para o início das obras, e anunciando aqui mais outros importantes investimentos como a federalização da 104, uma obra emblemática pelo quanto vai contribuir para a conexão viária de todo o Nordeste, e o Rio Grande do Norte vai ser muito beneficiado com isso, bem como as obras remanescentes de Macaíba”.

 

A chefe do executivo estadual fez, ainda, a solicitação de ampliação do trecho de 7 quilômetros, compreendendo o bairro Redenção em Mossoró e o contorno que dá acesso aos municípios de Tibau e Aracati. “E fechamos com a boa notícia que há muito tempo a gente vem lutando, que é a estrada do Cajueiro”.

 

O secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, ressaltou que a obra é fruto de articulação contínua do Governo do RN junto ao governo federal desde 2023. “A inclusão da duplicação da BR-304 no Novo PAC e a alocação dos recursos no orçamento federal resultam de articulação contínua do Governo do Estado com a União, assegurando as condições técnicas e financeiras para o início das obras”, afirmou.

 

Construída na década de 1960, a BR-304 é a principal artéria logística do estado, responsável pelo escoamento da produção agrícola, mineral e industrial, além de corredor estratégico para o turismo e a circulação de pessoas. Esta é a primeira grande obra estrutural de duplicação ao longo de seus mais de 400 quilômetros em território potiguar.

 

O prefeito de Assu, Lula Soares, destacou a importância da obra para a segurança e para a economia regional. “A duplicação da BR-304 representa uma mudança histórica para o Vale do Açu. É uma rodovia por onde escoam a produção, circulam trabalhadores e estudantes, e que por décadas concentrou altos índices de acidentes. Essa obra traz mais segurança, desenvolvimento e integração para toda a região”, afirmou.

 

No trecho entre Mossoró e Assu, a intervenção terá impacto direto no escoamento da produção de frutas e do sal marinho, dois dos principais itens da pauta de exportações do Rio Grande do Norte, além de contribuir para a redução de acidentes e a melhoria das condições de tráfego em uma das rodovias mais movimentadas do estado.

 

Também compareceram a solenidade o vice-governador, Walter Alves, o secretário da Fazenda, Cadu Xvier, representando todos os demais titulares das pastas do executivo estadual, o prefeito, Lula Soares, e a vice-prefeita de Assu, Izabela Morais, o secretário nacional de trânsito, Adrualdo Catão, o diretor geral do DNIT, Fabrício Galvão, o superintendente geral do DNIT, Getúlio Batista, o ex-senador, Jean Paul, o ex-prefeito de Assú, Gustavo Soares, os parlamentares: deputado federal, Fernando Mineiro, a deputada estadual, Isolda Dantas, o deputado estadual, Francisco do PT, o secretário adjunto do Gabinete Civil, Ivanilson Oliveira.

 

Os prefeitos: Acácio Brito (Serra Negra), Junior Evaristo (Paraú), Pinheiro Neto (Angicos), Francisco Antônio Faustino (Porto do Mangue), Canindé dos Santos (São Rafael), João Eudes (Itajá), Renan Mendonça (Upanema), Divanise Oliveira (Baraúna), Elvecio Gurgel (Janduís), João Maria (Fernando Pedrosa), Jairo Mafaldo (José da Penha) e Dra Laís (Pendências).

 

Os vereadores de Assú: Júnior do Trapiá (presidente da câmara), Clebson Corcino, Gigi Lopes (vice-presidente da câmara), João Walace,

José Valterlanio, Letícia de João Paulo, Odelmo Rodrigues, Paulinho de Marlene, Pedro Filho, Priscila de Terceiro, Wedson Nazareno, e vereador Tê. 


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Percentual de permuta imobiliária em João Pessoa bateu no teto, avalia construtor


 Os percentuais praticados na permuta imobiliária, que na orla marítima chegaram a 50%, atingiram um patamar que limita novas elevações sem alterar de forma relevante a distribuição de riscos entre proprietários de imóveis e construtores. A avaliação é do construtor e corretor de imóveis Waldemir Lopes Júnior, que acompanha há décadas a dinâmica das negociações imobiliárias na capital paraibana.

Nos bairros da Zona Sul, especialmente no Conjunto dos Bancários, a evolução foi mais contida. Para ele, as permutas se tornaram mais esporádicas no mercado em que atua e os últimos negócios praticados, há cerca de dois anos, operaram no patamar de 25%. Na prática, o modelo consistia na entrega de dois apartamentos em um prédio com oito unidades ao proprietário do terreno.

“Historicamente, o avanço foi gradual: começou com um apartamento por lote, passou para dois, e depois incorporou complementações em dinheiro, aluguel temporário ou ajustes financeiros que ampliaram a vantagem do dono da área sem modificar formalmente o percentual da permuta”.

Na orla, permuta atinge o limite econômico

Em bairros como Tambaú, Manaíra e Cabo Branco, a lógica se intensificou. Waldemir observa que percentuais próximos de 50% passaram a ser aceitos mesmo em empreendimentos com elevado custo de construção, padrão superior e preço do metro quadrado mais alto, numa equação é objetiva: “Na permuta física, quem mais se beneficia é o proprietário do terreno, que não investe recursos na obra, não assume risco operacional e aguarda a entrega das unidades prontas. O construtor concentra o risco financeiro, a execução da obra e a exposição à oscilação do mercado”.

Ao projetar os próximos movimentos, o construtor avalia que o percentual de 50% já representa um teto consolidado, ainda que negociações muito específicas possam ultrapassar pontualmente esse índice.

Expansão para a zona sul

Sobre o conceito de que a cidade por não ter mais para onde crescer, o caminho seria a zona sul, ele exemplifica a consolidação da tendência com a valorização acelerada de determinadas áreas, especialmente ao longo da PB-008 e em regiões próximas ao Valentina como o Portal do Sol: “Lotes que custavam entre R$ 30 mil e R$ 40 mil passaram a valer acima de R$ 300 mil, enquanto imóveis residenciais alcançaram valores próximos de R$ 1 milhão. Esse movimento ajuda a explicar por que a permuta física se tornou um ativo central nas negociações e por que, ao menos na orla, o mercado já opera no limite”, concluiu.

Cândido Nóbrega

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

PROCON/RN orienta consumidores sobre material escolar e práticas na volta às aulas

 Com a proximidade do início do ano letivo, o PROCON/RN emitiu a Nota Técnica nº 001/2026 com orientações sobre a solicitação de materiais escolares e condutas relacionadas ao processo de matrícula. O documento tem como objetivo garantir os direitos dos consumidores, assegurando transparência, legalidade e respeito às normas previstas no Código de Defesa do Consumidor. Acesse o documento aqui na íntegra.


A nota reforça que as escolas só podem exigir materiais de uso exclusivo do aluno e diretamente relacionados às atividades pedagógicas. É proibida a solicitação de itens de uso coletivo ou administrativo, como papel higiênico, copos descartáveis, material de limpeza, álcool, cartuchos de impressora, entre outros. Esses materiais devem ser custeados pela própria instituição.

Além disso, o Procon estabelece limites para alguns itens permitidos. Por exemplo, a escola pode solicitar no máximo uma resma de papel por aluno, até duas unidades de cola branca ou massa de modelar, além de quantidades restritas de tintas, cartolina, glitter e outros materiais, conforme especificado no documento.

Outro ponto destacado é a liberdade de compra. As instituições não podem determinar marcas específicas nem obrigar os pais a comprarem materiais em lojas indicadas, prática conhecida como “venda casada”. A exceção ocorre apenas em casos de material didático exclusivo da escola, como apostilas próprias, desde que haja concordância expressa do responsável financeiro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Campanha Verão Protegido 2026 convoca ações de vacinação e prevenção à dengue


 Com o objetivo de ampliar a vacinação e proteger a população potiguar da dengue, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) lança no próximo sábado (17) a campanha Verão Protegido 2026.

 A abertura será com um Dia D de mobilização, com todos os municípios convocados a participarem da campanha, que seguirá até após o Carnaval, com o encerramento marcado para 27 de fevereiro.

 

A Sesap orienta aos municípios que sejam criadas estratégias para ações como, por exemplo, postos volantes de vacinação em praias, parques e praças, com ênfase nos imunizantes contra Covid-19, Influenza, HPV e dengue.

 

Além disso, realizar também ações educativas sobre a importância da vacinação, prevenção da dengue e demais doenças como Zika e Chikungunya, e alertar sobre a ocorrência de Doenças de Transmissão Alimentar (DTHA).

 

O foco na dengue se dá especialmente por conta da intensificação do risco de transmissão durante o período de verão. Portanto, a Sesap também orienta que durante o Verão Protegido 2026 as secretarias municipais tomem medidas como a intensificação das visitas às casas e inspeção em prédios públicos para eliminar criadouros, bem como articulações com outras secretarias e órgãos municipais para ampliar a proteção nos locais.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Ipem-RN fiscalizou mais de 38 mil instrumentos de medição em 2025

IPEM/RN/Divulgação

 O Instituto de Pesos e Medidas do Rio Grande do Norte (IPEM/RN) realizou, ao longo de 2025, a verificação de 38.612 instrumentos utilizados no comércio e em serviços essenciais. Entre os itens fiscalizados estão balanças, bombas de combustível, radares, taxímetros, medidores de pressão arterial, cronotacógrafos e sistemas de medição de GNV.

Destaque da atuação do órgão, a fiscalização da venda de pão francês por peso registrou o maior índice de irregularidades pelo segundo ano seguido. Das 618 inspeções realizadas, 9,3% apresentaram descumprimento da norma, que exige a venda obrigatória por quilograma e a exibição visível do preço por quilo ao consumidor.

Do total de instrumentos verificados, balanças (5,9%) e bombas de combustível (3,2%) foram os que apresentaram os maiores percentuais de não conformidade em relação aos requisitos do Inmetro. Apesar disso, houve redução média de 1,6 ponto percentual nas irregularidades em comparação com 2024.

Produtos pré-embalados e qualidade de itens certificados

A fiscalização do IPEM/RN também atuou na verificação de produtos pré-embalados, como alimentos e itens de higiene e limpeza, conferindo se o peso corresponde ao informado na embalagem. Do total de 1.065 produtos inspecionados, 115 foram considerados irregulares por peso abaixo do declarado ou falta de indicação de peso.

Já no Setor da Qualidade, foram verificados 316.906 itens sujeitos à certificação obrigatória, incluindo brinquedos, eletrodomésticos, materiais elétricos, produtos têxteis e utensílios domésticos. Desse total, 5.726 itens estavam irregulares por não atenderem às normas estabelecidas, como a presença compulsória do selo de conformidade do Inmetro.

Foco em 2026: interior do estado e setores críticos

O diretor-geral do IPEM/RN, Itamar Ciríaco, reforçou as prioridades para 2026: “Em 2026, dando continuidade a determinação da governadora Fátima Bezerra e em total alinhamento com as orientações do Inmetro, vamos intensificar a fiscalização nas áreas com maior histórico de irregularidades, especialmente na venda de pão francês por peso. É fundamental que o consumidor conheça seus direitos e que os comerciantes cumpram a lei, sob risco de autuações e multas.”

Ele também destacou a expansão da atuação no interior: “Em 2025, alcançamos 95% dos municípios potiguares. Para este ano, mantendo o compromisso do Governo do Estado e a diretriz nacional do Inmetro, a meta é chegar a 100% das cidades do Rio Grande do Norte, garantindo presença e proteção ao consumidor em todo o território potiguar.”

Sobre o IPEM/RN

O Ipem-RN é órgão delegado do Inmetro e autarquia do Governo do Estado, vinculado à Secretaria do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sedec/RN). Para denúncias ou informações, a ouvidoria pode ser acionada pelo e-mail ouvidoria@ipem.rn.gov.br ou via WhatsApp (84) 98802-0364.

O que os silos do Recife ensinam sobre o futuro urbano de João Pessoa


 Mais que um feito arquitetônico ou de engenharia, a conversão dos antigos silos do Moinho Recife pela Moura Dubeaux em edifícios residenciais é uma escolha política urbana. Ao transformar estruturas industriais centenárias em moradia, convivência e vitalidade econômica, a cidade mostra que crescimento urbano pode nascer do reaproveitamento inteligente do que já existe e não da expansão contínua para novas áreas.

João Pessoa convive com desafios semelhantes. O Centro Histórico, o Varadouro, o Porto do Capim e trechos inteiros da área central acumulam imóveis vazios, subutilizados ou degradados, apesar de estarem cercados por infraestrutura, serviços e valor simbólico. A lógica atual ainda privilegia a verticalização periférica, enquanto o miolo da cidade perde moradores, comércio e presença cotidiana, abrindo espaço para mais degradação e insegurança.

Essas construções poderiam cumprir nova função urbana, como moradia, convivência e economia criativa. Reocupar o que já existe é reurbanizar, é mais inteligente, sustentável e humano do que empurrar a cidade para as bordas, pois “retrofit”não é luxo, é política pública urbana moderna, a exemplo do que já fizeram outras capitais como São Paulo.

Centro histórico como mero cenário de Instagram

Segundo o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Paraíba, Ricardo Vidal, o retrofit deve ser visto como escolha urbana e política, e não como saudosismo arquitetônico: “O exemplo do Recife deixa claro que cidades maduras crescem para dentro, reaproveitando infraestrutura, memória e localização, em vez de empurrar a expansão sempre para a periferia. Em João Pessoa, seguimos repetindo um erro antigo ao tolerar o esvaziamento do Centro Histórico enquanto estimulamos novas frentes de adensamento”.

Ele acrescentou que existem discurso e política pública estruturadas, porém ainda incipientes, sendo necessário mais segurança jurídica e continuidade institucional. “Centro histórico não pode virar apenas cenário de Instagram. Uma cidade viva se faz com gente morando, trabalhando e ocupando o espaço todos os dias”.

Incentivos tímidos no “Quintal de Pernambuco”

Do ponto de vista institucional, ainda são tímidos os incentivos estruturados para retrofit e reuso urbano na capital paraibana. A Prefeitura de João Pessoa avança pontualmente em projetos de requalificação, mas carece de uma política contínua que estimule a transformação de prédios antigos em habitação e uso misto. A Câmara Municipal poderia exercer papel decisivo ao modernizar o debate urbanístico, criando instrumentos legais que reduzam entraves, flexibilizem usos e incentivem investidores comprometidos com preservação e função social.

A “Queridinha do Nordeste” - ainda lembrada como quintal de Pernambuco – deveria buscar inspiração na positiva transformação urbanística causada pela recuperação dos antigos silos do Moinho Recife com um olhar mais apurado e coragem para ocupar seus vazios urbanos e estruturas esquecidas.

No plano estadual, o Governo da Paraíba também poderia integrar esse esforço com linhas de crédito, incentivos fiscais e parcerias público-privadas voltadas à reocupação de áreas centrais.

BNB resiste e investe

O Banco do Nordeste no Brasil faz a sua parte mantendo em pleno funcionamento sua agência localizada na Gama e Melo, no Varadouro, com projeto que diz respeito à utilização de recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) para ações de requalificação de áreas centrais e históricas das cidades.

O exemplo do Recife mostra que retrofit não é nostalgia, é estratégia econômica, ambiental e social. João Pessoa já tem história, localização e potencial. Falta transformar isso em política urbana clara antes que o centro se torne apenas cenário, e não lugar de vida.

Cândido Nóbrega


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Anuidades de conselhos na PB variam 498% e chegam a quase mil reais


Janeiro chegou com contas silenciosas, que pesam no bolso e não pedem licença: IPTU, IPVA, gastos relacionados à matrícula e material escolar, contas remanescentes das festas de fim de ano e férias - e para milhões de profissionais - o pagamento obrigatório da anuidade dos conselhos de fiscalização, o que impõe uma reflexão inevitável sobre o papel e atuação dessas entidades. O ranking de valores, segundo os sites oficiais, pode ser conferido abaixo.

Segundo o Tribunal de Contas da União, a agenda institucional de vários conselhos tem priorizado a arrecadação de anuidades, oferta de benefícios acessórios, aplicações de sanções; uso de diárias, jetons, auxílios e reembolsos para remunerar cargos tidos como honoríficos de forma permanente, e aparelhamento de entidades para perpetuação de poder por mesmos grupos políticos com reeleições ilimitadas.

Exemplos

Na Paraíba, após 9 mandatos e em meio a pressão do TCU, o presidente de Conselho Regional de Economia, Celso Mangueira, afirmou que articula seu sucessor.

O ex-presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz d’Ávila, gastou R$ 1,4 milhão em dois anos com passagens, hospedagens e jetons, incluindo uma viagem à Malásia só para abertura de evento e retorno a Dubai, nos Emirados Árabes, um dos seus destinos favoritos, com custo de R$ 45,8 mil aos cofres públicos.

O Tribunal também determinou a devolução de valores desviados no Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia e apura, a pedido do Congresso Nacional, só em 2024, R$ 4 milhões com passagens aéreas não comprovadas no Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional além de suspeitas de fraudes, reeleições ilimitadas e perpetuação de poder por um grupo por 16 anos (Acórdão Nº 638/2025-Plenário).

Muitas sanções aplicadas são no mínimo questionáveis. Em 2025, o CREA-MG cassou registros de engenheiros relacionados ao desastre de Brumadinho antes da conclusão das esferas cível e criminal, com decisões administrativas carentes de fundamentação técnica consistente, que comprometem o devido processo legal e a credibilidade do sistema, gerando uma infinidade de nulidades.

Falta de transparência e de fiscalização

Decorridos 14 anos da Lei n. 12.527 (Acesso à Informação), ainda é exigido do solicitante por vários conselhos a justificativa do pedido de acesso à informação ou documentos excessivos de identificação. O próprio TCU constatou há dois anos que 114 conselhos adotavam tais restrições e impunham dificuldades. Some-se a isso a ausência de normativos de AIR, a não adesão de 67% das entidades ao PNCP, gastos reduzidos ou inexistentes com fiscalização e a inexistência de políticas de prevenção ao assédio moral e sexual na maioria dos conselhos (Acórdão Nº 395/2023-Plenário).

Até esta data, dos 19 conselhos paraibanos, 7 ainda não publicaram em seus sites o valor da anuidade 2026.

Diante desse cenário, o TCU publicou em março passado a Decisão Normativa nº 216/2025, para garantir a transparência nas atividades e na prestação de contas dos 557 Conselhos federais de fiscalização profissional (30 federais e 527 Regionais) e assegurar que informações sobre fiscalização e aplicação dos recursos arrecadados por meio de anuidades e taxas pagas pelos profissionais registrados sejam efetivamente acessíveis ao público.

Os quadros de informação eletrônicos estruturados no formato aberto deverão estar disponíveis no sítio oficial da UPC na internet e possuir funcionalidade que permita o download completo dos dados em formato aberto, não-proprietário e legível por máquina. Tais arquivos devem poder ser livremente captados, por meios automatizados ou não, sendo vedados obstáculos ou limitações de acesso.

Ranking de anuidades na Paraíba

Quando comparado o valor do CRBM-PB cobrado aos técnicos (R$ 184,00) em relação ao valor cobrado pelo (CRECI-PB) aos corretores de imóveis (R$ 918,00) há uma variação de 498,9%, ou seja, de quase 5 x.. Ambas as categorias têm em comum a exigência para registro apenas do nível médio, com curso técnico específico.

1. Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-PB) - R$ 918,00

2. Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Paraíba (CAU-PB) - R$ 762,11

3. Conselho Regional de Contabilidade da Paraíba (CRC-PB) - R$ 697,00

4. Conselho Regional de Química (CRQ)

Nível superior: R$ 661,74

Nível superior com mais de 65 anos: R$ 529,39

Nível médio: R$ 325,97

Nível médio com mais de 65 anos: R$ 260,77

Auxiliares e provisionadosR$ 232,83

Auxiliares e provisionados com mais de 65 anos: R$ 186,26.

5. Conselho Regional de Educação Física da Paraíba (CREF-PB)

Pessoa Física: R$ 635,15

Pessoa Jurídica: R$ 1.569,68

6. Conselho Regional de Biomedicina da Paraíba (CRBM-PB)

Biomédico - R$ 630,00

Tecnólogo - R$ 312,00

Técnico - R$ 184,00

7. Conselho Regional de Administração da Paraíba (CRA-PB)

Administrador, Gestor Público e Mestres e Doutores - R$ 619,64

Tecnólogo e Gestor - R$ 421,84

Técnico em Administração (nível médio) - R$ 309,07

8. Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Paraíba (CREFITO-PB) - R$ 577,00

9. Conselho Regional de Relações Públicas (CRPR) - R$ 555,05

10. Conselho Regional de Farmácia da Paraíba (CRF-PB) - R$ 543,08

11. Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba (CRESS-PB) - R$ 520,00 para pessoa física e R$ 750,99 para pessoa jurídica

12. Conselho Regional de Tecnólogos e Técnicos em Radiologia da Paraíba (CRTR 16ª Região)

Técnico - R$ 393,02

Tecnólogo - R$ 490,92

Até esta data não disponibilizaram os valores de anuidade em seus sites institucionais:

1. Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB)

2. Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba (COREN-PB)

3. Conselho Regional de Psicologia da Paraíba (CRP-PB)

4. Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB)

5. Conselho Regional de Odontologia da Paraíba (CRO-PB)

6. Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB)

7. Conselho Regional de Estatística (CONRE)

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